{"id":36521,"date":"2018-05-19T00:00:12","date_gmt":"2018-05-18T23:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.spirituc.com\/?p=36521"},"modified":"2018-05-19T00:00:12","modified_gmt":"2018-05-18T23:00:12","slug":"dia-do-medico-de-familia-19-de-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dev.spirituc.com\/?p=36521","title":{"rendered":"Dia do m\u00e9dico de fam\u00edlia &#8211; 19 de Maio"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"https:\/\/www.spirituc.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Dr.-Nuno-Costa-Monteiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-36522\" src=\"https:\/\/www.spirituc.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Dr.-Nuno-Costa-Monteiro-261x300.jpg\" alt=\"Dr. Nuno Costa Monteiro\" width=\"261\" height=\"300\" \/><\/a>\u201c<\/strong><strong>Sem voca\u00e7\u00e3o, o tratamento acaba por ser despersonalizado\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Cada vez mais valorizado e apreciado por todo o mundo, o m\u00e9dico de Medicina Geral e Familiar (MGF) tem um papel fundamental no contexto da comunidade. \u00c9 a ele que recorremos em primeira inst\u00e2ncia e \u00e9 ele que nos orienta no caminho a seguir. Na data em que se assinala o Dia Mundial do M\u00e9dico de Fam\u00edlia, promovido pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de M\u00e9dicos de Fam\u00edlia (World Organization of Family Doctors \u2013 WONCA), entrevist\u00e1mos o Dr. Nuno Costa Monteiro, profissional de sa\u00fade nesta \u00e1rea, na zona da grande Lisboa, com quatro anos de especialidade, que nos revelou a import\u00e2ncia \u201cdeste m\u00e9dico\u201d na nossa sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De acordo com a sua perce\u00e7\u00e3o, de que forma \u00e9 valorizado o papel do m\u00e9dico de fam\u00edlia na sa\u00fade e bem-estar do agregado familiar no contexto nacional? <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 de consenso geral que o papel do m\u00e9dico de fam\u00edlia \u00e9 cada vez mais importante e por isso mais valorizado e apreciado. A rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-doente que se estabelece ao longo do tempo \u00e9 a principal mais-valia do m\u00e9dico de fam\u00edlia, pois n\u00e3o basta conhecer apenas a doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m a pessoa que tem a doen\u00e7a. E mais que conhecer a pessoa, \u00e9 conhecer todo o seu contexto familiar e comunit\u00e1rio. Este conhecimento como um todo faz a diferen\u00e7a. Julgo que outros profissionais de sa\u00fade, como os m\u00e9dicos de especialidades hospitalares, v\u00eaem com bons olhos a exist\u00eancia do m\u00e9dico fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o profissional com o qual v\u00e3o partilhar os cuidados do doente ou at\u00e9 mesmo dar continuidade aos tratamentos fora do hospital ap\u00f3s um internamento. \u00c9 uma mais valia para todos: os doentes podem ser tratados mais pr\u00f3ximos de casa, os profissionais hospitalares podem tratar de outros doentes e o m\u00e9dico de fam\u00edlia consegue garantir o equil\u00edbrio de toda a fam\u00edlia, pois o acompanhamento de proximidade permite que o doente esteja junto dos seus familiares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Consegue dar-nos alguns exemplos pr\u00e1ticos de como \u00e9 importante o papel de um m\u00e9dico de fam\u00edlia na sa\u00fade e bem-estar de um agregado familiar?<\/strong><\/p>\n<p>Um dos melhores exemplos da import\u00e2ncia do m\u00e9dico de fam\u00edlia acontece nas primeiras consultas de vida de um rec\u00e9m-nascido. Apesar de ser um per\u00edodo de grande alegria \u00e9 tamb\u00e9m um per\u00edodo de grande preocupa\u00e7\u00e3o para os pais, havendo sempre muitas d\u00favidas sobre o beb\u00e9. Assim, nestas consultas, para al\u00e9m do objectivo principal que \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o completa do rec\u00e9m-nascido, \u00e9 necess\u00e1rio ter tempo tamb\u00e9m com os pais para responder a perguntas que, muitas das vezes, s\u00f3 s\u00e3o colocadas ao m\u00e9dico de fam\u00edlia por vergonha de as perguntarem a outros profissionais.<\/p>\n<p>Nestas consultas, avaliamos tamb\u00e9m, de forma indirecta, o bem-estar psicol\u00f3gico da m\u00e3e. Conhecer a mulher antes de ser m\u00e3e \u00e9 essencial para despistar altera\u00e7\u00f5es emocionais que possam eventualmente culminar numa depress\u00e3o p\u00f3s-parto, situa\u00e7\u00e3o que pode ser muito complicada para toda a fam\u00edlia e que pode passar despercebida a outros m\u00e9dicos que apenas sigam a m\u00e3e ou o beb\u00e9 isoladamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O m\u00e9dico de fam\u00edlia acompanha todas as fases da vida do seu paciente e respectiva fam\u00edlia. Que rela\u00e7\u00f5es se criam, para al\u00e9m daquela que existe no plano cient\u00edfico-org\u00e2nico, entre o m\u00e9dico e o seu paciente?<\/strong><\/p>\n<p>Com o passar do tempo \u00e9 natural que se desenvolvam la\u00e7os de afinidade. A confian\u00e7a que se cria leva a que as pessoas confidenciem emo\u00e7\u00f5es e sentimentos t\u00e3o \u00edntimos que nos \u00e9 imposs\u00edvel ficar indiferente. Julgo que todos sentimos a alegria do nascimento, assim como a tristeza da morte de um elemento de uma fam\u00edlia que nos \u00e9 querida. \u00c9 gratificante, para al\u00e9m de especial, quando ouvimos dizer o \u201cmeu m\u00e9dico\u201d, como se tamb\u00e9m pertenc\u00eassemos \u00e0 pr\u00f3pria fam\u00edlia. Significa que fizemos bem o nosso trabalho.<\/p>\n<p><strong>Acredita que o compromisso com os seus pacientes n\u00e3o tem prazo? Ou seja, n\u00e3o termina com a cura da doen\u00e7a ou o fim do tratamento?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que o compromisso \u00e9 de ambas as partes. Claro que o nosso objectivo \u00e9 seguir a pessoa do nascimento at\u00e9 \u00e0 morte, mas h\u00e1 alturas em que os interesses divergem e o que eu julgo ser o melhor para a pessoa pode n\u00e3o coincidir com o que ela pretende. Por outro lado, as pessoas tamb\u00e9m t\u00eam que cumprir os seus deveres e n\u00e3o s\u00f3 reclamar os seus direitos. Encontrar o ponto de equil\u00edbrio neste compromisso nem sempre \u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para ser m\u00e9dico de fam\u00edlia \u00e9 preciso voca\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida que sim. Como em todas as profiss\u00f5es que prestam cuidados de sa\u00fade, tem que existir voca\u00e7\u00e3o: a capacidade de empatia, saber escutar e saber lidar com as particularidades de cada um dos doentes s\u00e3o as capacidades essenciais da Medicina Geral e Familiar. Sem voca\u00e7\u00e3o, o tratamento acaba por ser despersonalizado e indiferenciado, e n\u00e3o \u00e9 isso que se espera.<\/p>\n<p>Actualmente, as fun\u00e7\u00f5es do m\u00e9dico de fam\u00edlia v\u00e3o muito al\u00e9m da cura e do tratamento. A carga burocr\u00e1tica que nos \u00e9 exigida, torna a especialidade menos apelativa para jovens m\u00e9dicos rec\u00e9m-formados, acabando por ser o factor\u00a0 \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d que ditar\u00e1 quem realmente vai ser um bom m\u00e9dico de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pode, por favor, relatar-me resumidamente uma hist\u00f3ria com um paciente\/agregado familiar que simbolicamente retrate o que \u00e9 ser m\u00e9dico de fam\u00edlia?<\/strong><\/p>\n<p>A filha que traz a nota de alta do pai, que esteve internado por agravamento da sua doen\u00e7a cr\u00f3nica, e que pergunta se concordo com os novos medicamentos que foram prescritos, pois s\u00f3 confiam na opini\u00e3o do m\u00e9dico que conhece o pai h\u00e1 mais tempo. \u00c9 uma hist\u00f3ria que se repete com frequ\u00eancia e que n\u00e3o significa que n\u00e3o confiem noutros m\u00e9dicos, ou que julguem que est\u00e3o errados, mas mostra que a confian\u00e7a estabelecida ao longo do tempo \u00e9 mais significativa e tranquilizadora.<\/p>\n<p><strong>Por norma, os primeiros sintomas de algo que n\u00e3o esteja bem num paciente s\u00e3o sempre diagnosticados pelo m\u00e9dico de fam\u00edlia. Hoje em dia, no geral, quais s\u00e3o as principais raz\u00f5es que levam os pacientes a consultarem o m\u00e9dico de fam\u00edlia?<\/strong><\/p>\n<p>Na maioria das vezes, nas consultas de medicina geral e familiar, os doentes apresentam queixas muito inespec\u00edficas, em que nem sempre \u00e9 poss\u00edvel fazer um diagn\u00f3stico imediato. E isso pode acontecer porque os sintomas ainda s\u00e3o muito iniciais ou porque essa queixa n\u00e3o significa que seja verdadeiramente uma doen\u00e7a. Existem doentes que trazem listas de queixas ou problemas e esperam resolv\u00ea-los todos naquela consulta. Aqui o desafio est\u00e1 em descobrir qual daquelas queixas \u00e9 realmente o problema que tem de ser resolvido, pois normalmente existe um problema de base que acaba por criar todos os outros. Depois temos outros doentes que trazem diagn\u00f3sticos feitos pelo \u201cDr. Google\u201d (geralmente grav\u00edssimos!), sendo tamb\u00e9m uma tarefa dif\u00edcil conseguir \u201cdesmontar\u201d toda a teoria que as pessoas na internet, mas que n\u00e3o s\u00e3o capazes de adequar \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>No m\u00eas de Maio tamb\u00e9m se comemoram outros dias relacionados com a sa\u00fade: Dia Mundial da Hipertens\u00e3o, Dia de Luta Contra a Obesidade e Dia Mundial sem Tabaco. Qual o papel do m\u00e9dico de fam\u00edlia na preven\u00e7\u00e3o destas patologias\/adi\u00e7\u00f5es em particular?<\/strong><\/p>\n<p>O m\u00e9dico de fam\u00edlia tem o papel-chave dada a sua proximidade: promove a sa\u00fade e previne a doen\u00e7a. O contacto regular e continuado permite explicar os benef\u00edcios e os malef\u00edcios de determinados estilos de vida. No caso da Hipertens\u00e3o e da Obesidade, que est\u00e3o intimamente ligadas, \u00e9 essencial promover a redu\u00e7\u00e3o da quantidade de sal nos alimentos, seguir uma dieta alimentar equilibrada e aumentar a pr\u00e1tica de exerc\u00edcio f\u00edsico. Sobre o tabaco e outras subst\u00e2ncias aditivas, julgo que explicitar os malef\u00edcios desde cedo (inf\u00e2ncia\/adolesc\u00eancia) \u00e9 primordial para diminuir o n\u00famero de pessoas que iniciam este tipo de consumos. Cabe ao m\u00e9dico de fam\u00edlia prevenir o eventual aparecimento destes problemas, e o desafio \u00e9 como o fazer, mas o trabalho conjunto com todos os elementos da fam\u00edlia facilita a que cada um acabe por ter um estilo de vida saud\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Quais os progressos verificados na medicina familiar a n\u00edvel nacional? Que margem de progresso ainda existe no papel desempenhado pela medicina familiar na sociedade portuguesa?<\/strong><\/p>\n<p>O sistema de sa\u00fade, quer p\u00fablico quer privado, tem feito uma grande aposta nos m\u00e9dicos de Medicina Geral e Familiar como m\u00e9dicos assistentes \/ gestores de sa\u00fade da pessoa e da sua fam\u00edlia. O Sistema Nacional de Sa\u00fade (SNS), tem investido nos \u00faltimos anos nos cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios, vulgo Centros de Sa\u00fade \/ Unidades Sa\u00fade Familiar (USF) com o objectivo de dar a todos os cidad\u00e3os um m\u00e9dico de fam\u00edlia. H\u00e1 um grande investimento com a abertura de mais unidades, assim como, com o aumento da forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica especializada e qualificada. Apesar de ser uma especialidade generalista, o actual modelo formativo tem como objectivo criar um m\u00e9dico capaz de mobilizar um vasto leque de compet\u00eancias, dotando-o de conhecimentos espec\u00edficos de v\u00e1rias especialidades, tais como a Pediatria, a Ginecologia, a Psiquiatria, entre outras. O conhecimento m\u00e9dico abrangente, aliado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima e de continuidade com o doente, leva a que o m\u00e9dico de fam\u00edlia seja o profissional ideal para gerir todo o processo de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O sistema de sa\u00fade privado tamb\u00e9m j\u00e1 compreendeu esta mais-valia e por isso tem investido, cada vez mais, na contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos especializados em MGF. Por tudo isto, julgo que a Medicina Geral e Familiar ter\u00e1 cada vez mais um papel preponderante em toda a sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSem voca\u00e7\u00e3o, o tratamento acaba por ser despersonalizado\u201d Cada vez mais valorizado e apreciado por todo o mundo, o m\u00e9dico de Medicina Geral e Familiar (MGF) tem um papel fundamental no contexto da comunidade. \u00c9 a ele que recorremos em primeira inst\u00e2ncia e \u00e9 ele que nos orienta no caminho a seguir. 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